CARCINOMA DE MAMA – PREVENÇÃO
A Neoplasia Maligna da Mama é o carcinoma mais incidente na mulher no Brasil e o mundo, com uma estimativa de mais de 1.050.000 casos novos ao ano, sendo em torno de 42.000 casos apenas no Brasil (INCA – 2003), e também responsável pela maior taxa de mortalidade por habitante (10,4 / 100.000 habitantes – Brasil / 2003) entre as neoplasias malignas no sexo femino. Segundo dados registrados na Organização Mundial de Saúde (OMS) nos países ditos mais desenvolvidos observar-se um aumento da incidência do câncer de mama acompanhado de uma redução da mortalidade por esta neoplasia, o que está associado à detecção precoce por meio da introdução da mamografia para o rastreamento e à oferta do tratamento adequado. Já em outros países, com no caso do Brasil, o aumento da incidência tem sido acompanhado do aumento da mortalidade, o que pode ser atribuído, principalmente, a um retardamento no diagnóstico e na instituição de terapêutica adequada. No Estado do Paraná, segundo o mesmo INCA, a taxa de incidência é de 31,13 casos novos por 100.000 habitantes / ano e a taxa de mortalidade 10,96.
A prevenção das neoplasias malignas de um modo em geral inicia em condições e hábitos de vida saudáveis com distanciamento de fatores de risco como a obesidade e tabagismo e ações visando à promoção à saúde e a prevenção das doenças crônicas não transmissíveis. No câncer de mama alguns fatores ambientais ou comportamentais são associados a um risco aumentado, embora estudos epidemiológicos não fornecem evidências conclusivas que justifiquem ações estratégicas específicas.
Os fatores de risco específicos para o câncer de mama caracterizam-se por história familiar (parente em 1º grau, incluem casos conhecidos de carcinoma de ovário), idade da menarca (< 13 anos), idade do primeiro filho (quanto mais precoce menor o risco), idade da menopausa (> 55 anos), conhecida ou suspeita mutação gênica (BRACA 1 e/ou 2), atual ou anterior terapia hormonal da menopausa (principalmente quando por mais de 5 anos), irradiação prévia em região toráxica. Outros fatores de risco individual relacionam-se a biópsia prévia com diagnóstico de hiperplasia ductal atípica ou carcinoma lobular in situ.
De um modo prático define-se como grupos populacionais com risco elevado mulheres com história familiar de pelo menos um parente de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com diagnóstico de câncer de mama (inclue casos no sexo masculino) abaixo dos 50 anos, ou câncer de mama bilateral / câncer de ovário em qualquer idade; diagnóstico prévio de lesão mamária proliferativa com atipias ou neoplasia lobular in situ.
Atualmente as ações preventivas específicas ainda não são consenso, orientadas pelo modelo de Gail (calcula risco relativo de acordo com parâmetros específicos, disponível em www.nci.nih.gov) e aplicável em mulheres com 35 anos ou mais, indicam benefícios com redução da incidência por câncer de mama quando de risco maior que 1,7% em 05 anos com uso de Citrato de Tamoxifeno 20 mg ao dia durante 05 anos. Está redução seria de 48% na incidência, mas ainda não há dados sobre redução na mortalidade. A Mastectomia profilática (Adenomastectomia) estaria indicada apenas em casos de altíssimo risco como a Síndrome do Câncer de Mama Hereditário (incidência em 50 a 75% dos membros da família, geralmente relacionados à detecção do gene BRACA 1 ou 2).
A detecção precoce complementa as ações preventivas, podendo ser superponíveis enquanto diagnosticam também as lesões precursoras e as pré-invasivas, sendo recomendado exame clínico da mama, para todas as mulheres a partir dos 40 anos anualmente ou 35 anos quando pertencentes a grupos populacionais de risco para câncer de mama (embora faça parte do atendimento integral à saúde da mulher e deva ser realizado em todas as consultas clínicas, independente da idade), rastreamento por mamografia anual em mulheres após os 50 anos, após os 35 anos em casos de maior risco, e em todas as mulheres que estão sendo submetidas à terapia hormonal da menopausa. Estas recomendações foram adaptadas do Consenso sobre Controle do Câncer de Mama do Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Mastologia e Sociedade Brasileira de Radiologia.
Como ações associadas deve-se encorajar a realização do auto-exame das mamas, embora estudos randomizados não mostrem redução da mortalidade, reduz o estadiamento no momento do diagnóstico, diminuindo a morbidade do tratamento. Salienta-se também que cerca de 90% dos tumores palpáveis da mama são detectados pela própria paciente.
Embora haja uma grande diversidade de resultados em estudos clínicos, estima-se uma redução de 20 a 30% na mortalidade do Carcinoma de Mama quando da realização do screening mamográfico. Estudo recente holandês publicado no NEJM em julho de 2004 demonstrou resultados surpreendentes na detecção precoce usando Ressonância Nuclear Magnética em mulheres com predisposição genética para Carcinoma de Mama, sugerindo que sua aplicação possa ser incrementada. A Ultra-sonografia não demonstrou ainda resultados significativos em programas de screening, ficando restrita no complemento da Mamografia ou em diagnóstico de lesões palpáveis.
Temos pela frente no Brasil uma intensa busca na redução da mortalidade determinada pelo Carcinoma de Mama, como já alcançada em países mais desenvolvidos, sugerindo necessidade de aumento das ações educativas junto a população, ampliação do rastreamento mamográfico, realização de controle de qualidade nos serviços de mamografia, treinamento nos serviços básicos para avaliação adequada das mamas nas unidades de saúde, investimento e revisão das tabelas do Sistema Único de Saúde visando incorporar novas tecnologias e avanços terapêuticos, já disponíveis ao paciente privado, e assim possibilitando um diagnóstico mais precoce e um tratamento mais adequado as mulheres portadoras desta neoplasia e revertendo estes índices preocupantes de mortalidade observados hoje no Brasil comparados com outros países.
Dr. Fabio Postiglione Mansani
Mastologista
Responsável pelo Setor de Oncologia Ginecológica e Mamária
ISPON