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Mieloma Múltiplo: o câncer silencioso da medula óssea

Mieloma Múltiplo: o câncer silencioso da medula óssea

O mieloma múltiplo é um tipo de câncer hematológico ainda pouco conhecido pelo grande público, mas que merece atenção. Ele se origina nas células plasmáticas, um tipo de glóbulo branco responsável por produzir anticorpos que ajudam o organismo a combater infecções. Quando essas células se tornam malignas e passam a se multiplicar de forma descontrolada, dá-se início ao mieloma múltiplo.
 

Esse câncer acomete principalmente pessoas com mais de 60 anos e tem como característica a produção anormal de anticorpos (chamados paraproteínas), além de causar danos ao osso e à medula óssea. Entre os principais sintomas estão dor óssea (especialmente na coluna e costelas), cansaço excessivo, fraturas espontâneas, infecções frequentes, anemia, alterações renais e níveis elevados de cálcio no sangue.
 

Por ser uma doença de evolução lenta e com sintomas comuns a outras enfermidades, o diagnóstico do mieloma múltiplo costuma ser tardio. Exames laboratoriais como eletroforese de proteínas, imunofixação, dosagem de cadeias leves livres e biópsia da medula óssea são fundamentais para confirmar a presença da doença. Exames de imagem, como radiografias, tomografia e ressonância magnética, ajudam a avaliar o comprometimento ósseo.
 

Embora ainda sem cura definitiva, o mieloma múltiplo tem hoje um leque crescente de tratamentos. Além da quimioterapia e do transplante autólogo de medula óssea, os avanços recentes incluem os inibidores de proteassoma, que interferem na degradação de proteínas nas células cancerosas, e os imunomoduladores, que ajudam o sistema imunológico a combater as células doentes. Mais recentemente, terapias com anticorpos monoclonais — como daratumumabe e elotuzumabe — têm demonstrado ótimos resultados ao atacar especificamente as células do mieloma.
 

Outro avanço promissor é a terapia CAR-T, na qual as próprias células T do paciente são modificadas em laboratório para reconhecer e destruir as células tumorais. Essa abordagem tem mostrado respostas significativas mesmo em casos mais resistentes, embora ainda esteja em fase de acesso restrito e alto custo.
 

Além dos desafios físicos, o mieloma múltiplo também impõe um grande impacto psicológico. O diagnóstico de um câncer crônico, com possibilidade de recidivas, frequentemente gera ansiedade, medo e incerteza. A convivência com dores crônicas, fadiga e os efeitos colaterais do tratamento pode afetar a autoestima e a vida social do paciente. Por isso, o apoio psicológico é uma parte fundamental do cuidado — seja por meio de acompanhamento com psicólogos, grupos de apoio ou acolhimento familiar.
 

O mieloma múltiplo não é apenas uma doença do corpo, mas também da mente e da vida cotidiana. Informar-se, buscar ajuda médica diante de sintomas persistentes e contar com uma rede de apoio podem fazer toda a diferença na jornada de quem enfrenta esse diagnóstico. E, com os avanços da medicina, há cada vez mais motivos para olhar o futuro com esperança.


Dra. Carolina Bacila
Hematologia e Hemoterapia
CRM 20833 RQE 16447


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