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Farmacêutica do Complexo ISPON integra autores de novo artigo sobre tumores gastrointestinais

Texto traz desafios no diagnóstico e abordagens terapêuticas para esses casos

Farmacêutica do Complexo ISPON integra autores de novo artigo sobre tumores gastrointestinais

O artigo “Desafios no diagnóstico e abordagens terapêuticas atuais na carcinomatose peritoneal” publicado pelo Internacional Journal of Health Management Review aborda a metástase peritoneal, uma condição em que células cancerígenas atingem o peritônio, membrana que reveste internamente a cavidade abdominal e recobre parte dos órgãos. Essa condição é frequentemente associada a tumores gástricos, colorretais, ovarianos, apendiculares e outros de origem gastrointestinal ou ginecológica. O texto apresenta como os avanços no diagnóstico e nas terapias vêm ampliando as possibilidades de controle da doença e, em determinados casos, de tratamentos com intenção curativa.

Um dos pontos centrais do estudo é a dificuldade de identificar corretamente a extensão da doença. Exames convencionais, como tomografia e ressonância magnética, podem não identificar pequenos implantes tumorais no peritônio. Dessa forma, os autores trazem duas ferramentas importantes: a laparoscopia de estadiamento, procedimento que permite visualizar diretamente a cavidade abdominal; e Índice de Câncer Peritoneal (PCI), ferramenta utilizada para medir a extensão da doença dentro da cavidade abdominal.

O estudo apresenta diferentes modalidades terapêuticas, explicando que a indicação depende da origem do tumor, da extensão da doença e das condições clínicas do paciente. As cinco opções são: Cirurgia Citorredutora (CRS), Quimioterapia Intraperitoneal Hipertérmica (HIPEC), Tratamento Intraperitoneal e Sistêmico Normotérmico (NIPS), Quimioterapia Intraperitoneal Pressurizada por Aerossol (PIPAC) e Terapias direcionadas por biomarcadores.

Um dos destaques do artigo é o estudo clínico de fase III DRAGON-01 que avaliou a utilização de paclitaxel intraperitoneal associado à quimioterapia intravenosa em pacientes com câncer gástrico e metástase peritoneal. Os resultados em relação à sobrevida global mediana foram de: quimioterapia intravenosa em 13,9 meses e o tratamento combinado em 19,4 meses. Já na conversão para a cirurgia com margens R0 foram de 35,1% em quimioterapia intravenosa e 50,7% em tratamento combinado. Esses dados demonstram que a associação da quimioterapia intraperitoneal com a intravenosa proporcionou aumento significativo da sobrevida e da possibilidade de realização de cirurgia com remoção completa da doença visível, nessa população estudada.

A pesquisa destaca que não são todos os pacientes que podem receber esses tratamentos. Os autores reforçam que a presença de carcinomatose peritoneal não significa que o paciente tenha indicação para cirurgia citorredutora ou HIPEC. A decisão para o uso do tratamento deve levar em consideração: a origem e as características biológicas do tumor; a quantidade e a distribuição dos implantes peritoneais; o Índice de Câncer Peritoneal (PCI); as condições clínicas e funcionais do paciente; a possibilidade de remoção adequada da doença.

Para o futuro, o artigo aponta perspectivas de evolução no tratamento de carcinomatose peritoneal. Entre elas estão: biópsias líquidas para identificar DNA tumoral circulantes, inteligências artificial aplicada à análise de exames de imagem, desenvolvimento de terapias combinadas com imunoterapia, maior precisão na seleção dos pacientes para cirurgia e novos estudos para validar os resultados das terapias intraperitoneais em populações ocidentais.


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